Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo
Quinta, 25 de Junho de 2026

IATA destaca prioridades para fortalecer a cadeia de suprimentos da aviação

25/06/2026

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Falhas na cadeia de suprimentos foram um ponto central na recente Assembleia Geral Anual da Associação (Magnific)

A Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA) identificou quatro prioridades para lidar com falhas persistentes na cadeia de suprimentos aeroespacial no Simpósio Mundial de Manutenção e Engenharia inaugural da IATA, em Madri:

  • Aumentar a visibilidade da cadeia de suprimentos
  • Abrir o mercado de pós-venda
  • Liberar o valor dos dados, da digitalização e da inteligência artificial (IA)
  • Desenvolver a capacidade humana

As falhas na cadeia de suprimentos foram um ponto central na recente Assembleia Geral Anual da IATA. “A carteira de pedidos de aeronaves passa de 18.000. E a idade média da frota atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, a falta de mais de 5 mil aeronaves de substituição mais eficientes em termos de combustível, com as quais as companhias aéreas contavam, significa perdas de ganhos de eficiência, sem mencionar taxas de arrendamento mais altas e custos de manutenção acrescidos”, disse Willie Walsh, Diretor Geral da IATA, em seu Relatório sobre a Indústria do Transporte Aéreo.

“No total, as falhas na cadeia de suprimentos custaram às companhias aéreas pelo menos US$ 11 bilhões em 2025. Os preços de combustível mais altos de hoje só vão piorar a Garantir a viabilidade das exigências para aeronaves.”

“Junto com os atrasos na entrega de aeronaves, problemas de durabilidade dos motores, escassez de materiais e peças de reposição, e a capacidade limitada de manutenção estão interrompendo as operações das companhias aéreas. Enfrentar esses desafios exigirá ações práticas e cooperação em toda a cadeia de valor da aviação”, disse Stuart Fox, Diretor de Operações de Voo e Técnicas da IATA.

Durante o Simpósio, Fox apresentou quatro medidas que poderiam contribuir para melhorar a situação:

  1. Visibilidade Aprimorada da Cadeia de Suprimentos: A IATA incentivou informações mais antecipadas e confiáveis por parte dos fabricantes para as companhias aéreas sobre atrasos nas entregas, prazos de execução de reparos, disponibilidade de peças e gargalos conhecidos, para permitir que as companhias aéreas planejem melhor as operações de suas redes globais.
  2. Abrir o Mercado de Pós-Venda: A IATA apelou para que mais fabricantes se comprometam com os princípios fundamentais incluídos no acordo IATA-CFM em apoio a uma maior concorrência no mercado de pós-venda, reforçando o acesso a serviços de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) de terceiros, peças alternativas e reparos aprovados. Restrições comerciais de longa data sobre instruções de reparo, ferramental, redes de reparo aprovadas e distribuição de peças sobressalentes podem limitar a capacidade das companhias aéreas de usar alternativas seguras e certificadas. Isso reduz as opções e a concorrência, contribui para tempos de espera mais longos e aumenta os custos.
  3. Liberar Dados, Digitalização e IA: A IATA pediu uma melhor integração entre os sistemas de manutenção das companhias aéreas e a inteligência de mercado externa para melhorar a gestão de estoques, identificar a disponibilidade e a escassez de materiais, apoiar decisões de reparar ou substituir e fortalecer as reivindicações de garantia. A IA pode apoiar ainda mais esses processos prevendo a demanda, identificando a escassez e reduzindo o trabalho manual. A cooperação da IATA com o International Airlines Technical Pool (IATP) para ajudar as companhias aéreas a melhorar a visibilidade e o acesso a peças de aeronaves, e a disponibilização gratuita do MRO SmartHub para as companhias aéreas por meio de um programa de participação de dados, são dois exemplos de iniciativas que apoiam essa prioridade.
  4. Desenvolver a Capacidade Humana: A IATA instou uma revisão no recrutamento, treinamento e licenciamento de técnicos de manutenção para reduzir prazos, expandir o alcance e melhorar a estabilidade no emprego. Espera-se que a demanda por técnicos de manutenção cresça, conforme evidenciado pela estimativa da Boeing de que 710.000 novos técnicos serão necessários nos próximos 20 anos. Aumentar a capacidade de treinamento, reduzir gargalos desnecessários de qualificação e criar um maior reconhecimento de habilidades além das fronteiras ajudarão a preencher essa lacuna.

“A cadeia de suprimentos está sob uma pressão real, mas isso não é motivo para pessimismo. É um motivo para ação. Essas quatro prioridades isoladas não são soluções completas. Mas seriam um passo importante para que OEMs, fornecedores, MROs, locadores, reguladores e companhias aéreas trabalhem juntos para alcançar as cadeias de suprimentos aeroespaciais resilientes de que a conectividade global precisa”, disse Fox.

IATA busca garantir a viabilidade das exigências para aeronaves

A IATA também pediu cronogramas realistas e globalmente coordenados para mandatos que exijam novos equipamentos de aeronaves ou atualizações de aviônicos. Os prazos de conformidade devem levar em consideração a certificação e a disponibilidade dos equipamentos, a capacidade de instalação e as condições mais amplas da cadeia de suprimentos.

A IATA apresentou essas preocupações à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), inclusive em relação aos requisitos conectados ao Sistema Global de Socorro e Segurança Aeronáutica (GADSS), Sistemas de Alerta e Consciência de Saída de Pista (ROAAS) e Transmissão de Vigilância Dependente Automática (ADS-B).

“Não se trata de adiar a segurança. Trata-se de tornar a segurança exequível. As melhorias na segurança global exigem cronogramas de implementação globalmente coordenados que reflitam a certificação, a disponibilidade de equipamentos e a capacidade de instalação”, disse Fox.